Xbox cria divisão de pesquisa para testar tecnologias emergentes

Xbox cria divisão de pesquisa para testar tecnologias emergentes

A Microsoft anunciou a criação da Xbox Labs, um novo grupo interno dedicado a experimentar tecnologias que estão mudando a forma como os jogos são feitos, portados e jogados. O anúncio foi feito pela CEO da Xbox, Asha Sharma, nesta terça-feira, em um memorando enviado aos funcionários - e chama atenção por abraçar abertamente práticas que, até pouco tempo, colocavam em xeque o próprio modelo de negócio da indústria de games.

Um laboratório para ideias que desafiam o status quo

Segundo Sharma, a Xbox Labs será "um pequeno grupo de criadores de jogos, engenheiros e cientistas" cuja missão é transformar ideias emergentes em experiências reais para jogadores e desenvolvedores. A liderança ficará com Scott Van Vliet, que ocupa o cargo de diretor de tecnologia (CTO) da Xbox desde maio. A executiva afirmou que o time vai "construir em público" e que o sucesso será medido por um critério simples: se mais gente está jogando e criando.

Chamou atenção o fato de Sharma citar, como exemplos positivos, casos recentes de jogos decompilados e reconstruídos para rodar em hardwares para os quais nunca foram projetados, além de títulos de PC com Windows adaptados para funcionar em chips Apple Silicon ou diretamente em navegadores web. Para a CEO, esses são "resultados inequivocamente bons para os jogadores, mesmo quando - e às vezes justamente porque - desafiam nossos modelos de negócio atuais".

Inteligência artificial nas entrelinhas

O memorando evita citar diretamente o termo inteligência artificial, mas a lógica por trás da iniciativa está fortemente ligada a agentes de IA. Sharma argumentou que a programação se tornou a primeira grande área de atuação desses agentes porque eles conseguem escrever, executar e testar software - e que os jogos compartilham várias dessas mesmas características. Ela citou que os jogadores passam mais de 72 bilhões de horas por ano em jogos da Xbox, um volume estimado em cinco vezes o tempo gasto globalmente com escrita de código.

O posicionamento marca uma guinada discursiva em relação ao início da gestão de Sharma. Em fevereiro, ao assumir o posto vindo da divisão CoreAI da Microsoft, ela havia prometido que os jogos continuariam sendo "feitos por humanos, com a tecnologia mais inovadora fornecida por nós", e garantiu que não deixaria o ecossistema Xbox ser "inundado por lixo sem alma gerado por IA". Em maio, inclusive, retirou o Gaming Copilot de dispositivos móveis e cancelou seu lançamento nos consoles, alegando que a Xbox iria "aposentar recursos que não estão alinhados com o caminho que estamos seguindo".

Reestruturação em curso na divisão de games

O anúncio da Xbox Labs chega em meio a um período de forte reorganização interna. No mês passado, a Microsoft cortou 268 cargos na Xbox Game Studios e transferiu o desenvolvimento do próximo jogo da franquia Halo para a Activision. Esse movimento faz parte de um processo de reestruturação anunciado por Sharma em julho, que previa cerca de 3.200 demissões até o fim do atual ano fiscal - aproximadamente 20% da força de trabalho da Xbox. Na ocasião, a empresa informou que o processo já estava cerca de 75% concluído.

Apesar do cenário de cortes, Sharma fez questão de reforçar que as prioridades da Xbox não estão mudando. Segundo ela, a Labs representa "uma forma de explorar novas tecnologias sem abandonar o trabalho que já está em andamento" - um esforço de sinalizar que inovação e reestruturação caminham em paralelo, e não como substitutas uma da outra.