Defesa Frágil Deixa o Manchester United Refém de Si Mesmo

Defesa Frágil Deixa o Manchester United Refém de Si Mesmo

O Manchester United voltou a sofrer gol. Desta vez foi Dominic Calvert-Lewin quem balançou as redes, garantindo ao time o terceiro empate seguido por 1 a 1 na Premier League e confirmando a perda de pontos em dois dos últimos três jogos. Mais do que o resultado em si, o que incomoda em Old Trafford é a persistência de um problema que já dura sete rodadas: contra Hull City, Ipswich Town, Everton, Manchester City, Fulham, Tottenham e agora Leeds United, a equipe não conseguiu deixar o próprio gol intacto nenhuma vez.

Um time que não sabe mais zerar a própria meta

Das 20 equipes da Premier League nesta temporada, apenas duas ainda não conseguiram manter o placar zerado em nenhuma partida: o Manchester United e o Ipswich Town, recém-promovido. É uma companhia incômoda para um clube que se apresenta como candidato a disputar competições europeias de elite. O dado deveria causar espanto no vestiário, mas a reação em campo e fora dele sugere resignação mais do que surpresa - o problema é conhecido há meses, e a diretoria sabia disso desde o verão.

Em Elland Road, o United chegou a improvisar um lateral-direito atuando pela esquerda e um zagueiro na lateral-direita, trocando peças ao longo da partida até terminar com arranjos pouco convencionais, alternando entre linhas de quatro e cinco defensores. Saiu com um ponto, mas por pouco não saiu com menos. As ausências de Luke Shaw, lesionado desde a pré-temporada, e de Patrick Dorgu, que não atua naturalmente como lateral-esquerdo, expuseram ainda mais as limitações do elenco. Noussair Mazraoui, retornando de lesão e improvisado na zaga, mostrou insegurança visível.

Martinez sai e a solidez vai junto

Lisandro Martinez havia feito uma primeira etapa sólida, ajudando a construir a melhor atuação defensiva do United na temporada até então. Mas uma lesão o tirou de campo no intervalo, e a partir daí a equipe voltou a ruir atrás. O zagueiro argentino assistiu ao restante do jogo do banco, visivelmente incomodado, enquanto nas arquibancadas o CEO Omar Berrada e o diretor de futebol Jason Wilcox não escondiam o desconforto com o que viam.

A lista de pendências é longa: recolocar Bruno Fernandes em seu melhor nível, corrigir erros de organização defensiva e lidar com episódios polêmicos, como o gol do Manchester City em Old Trafford que, para muitos, não deveria ter sido validado. Mas o cerne da questão, segundo observadores próximos ao clube, é menos tático e mais de atitude: falta aos defensores do United a convicção coletiva de se tornarem indecifráveis, independentemente das limitações impostas pelo elenco atual.

Contratos, cobranças e um verão decisivo pela frente

Harry Maguire, com a experiência de quem já vestiu a braçadeira de capitão, admitiu publicamente que a defesa carece de compostura. A fala ecoa a dureza das palavras de Martínez após a eliminação diante do Atlético de Madrid, quando o argentino disse não enxergar no elenco qualidade suficiente para disputar a Liga dos Campeões.

Os contratos de Maguire e Martínez se estendem até 2027, com o clube detendo opção de renovação, mas ambos precisarão provar que merecem permanecer peças centrais do projeto. Diogo Dalot também é observado de perto diante de uma reformulação defensiva esperada para o próximo verão europeu. O vínculo de Shaw termina em junho do ano que vem, e o futuro de longo prazo de Mazraoui segue incerto. Jason Wilcox e a cúpula de futebol do United demoraram a agir no mercado, e agora colhem as consequências dessa inércia.

Por ora, o United ainda está distante do nível de uma equipe de metade superior da tabela. Sem uma correção rápida na retaguarda, o risco de a crise se aprofundar é real - e a pressão sobre a diretoria, para promover mudanças estruturais na defesa assim que a disputa por vaga europeia estiver definida, só tende a crescer.